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    March, 2007

    Blá blá blá

    Bem, inspirada por longas leituras de blogs de uma amiga minha, que os escreve em português e em inglês, resolvi escrever no meu, pela primeira vez como maior de idade (grande coisa...), e também de umbigo furado.
    Estou no Brasil, mais especificamente em Santos, pertíssimo da praia, e agora não posso entrar na água do mar... Mas pronto, não faz mal, eu nem ia à praia assim tanto, e quando for Verão em Portugal isto vai estar mais que cicatrizado e aí sim, vão ser mergulhos e mergulhos de cabeça na água gelada da Fonte da Telha. E isto remete aos meus planos de voltar para Portugal, que se demonstram cada vez mais difíceis de concretizar. Dos cerca de trinta currículos que mandei, marquei duas entrevistas, uma no Mc Donald's e outra nas Lojas Americanas (um armazém), e aparentemente não deu em NADA. Desgastante. Sabem o que me falta? QI. E não se enganem, não é o famoso Quociente de Inteligência, que esse, embora eu nunca tenha feito o teste, acredito que esteja muito bom. É o Quem Indica. Foi feito um estudo que demonstrou que no Brasil, cerca de oitenta e cinco por cento das vagas de emprego são preenchidas não através de uma entrevista, mas sim de alguém que já trabalhe nessa empresa e indique algum conhecido para ocupar o novo cargo. Um pouco revoltante, mas é o poder do conhecimento. E, eu que cheguei há 2 meses nesta terra, não tenho quase nenhum, e a minha avó, querida, já falou com todas as pessoas que conhecia, incluindo vizinhos do prédio, o contabilista, o dono da livraria onde o livro dela foi lançado, os filhos do meu falecido avô Dudu, enfim... Montes de gente. Mas, como já deve ser claro, nada deu em nada. Revoltante, agoniante, triste e desanimador. Mas continuo na luta. Tenho fé nas pessoas que me rodeiam e que querem que eu seja feliz, e que por isso me ajudam, nem que seja apenas com uma palavra de apoio ou um sorriso.
    Meus primeiros dois gatos morreram. Nem importa porquê. Hoje, são apenas memórias. O bobo do Brad Pitt e a louca da Angelina Jolie. Lindos, fofos, mortos. Agora temos aqui um sobrevivente. Um senhor gatinho, que com cerca de 3 meses de idade subiu a uma árvore alta, e, como podem imaginar, não conseguia descer. Lá esteve ele durante três dias, no carnaval, a miar, até que uma senhora se lembrou de chamar os bombeiros. A história saiu num jornal local, que temos guardado para mostrar a quem venha conhece-lo. É um medricas de marca maior, está sempre escondido algures, durante o dia não o vemos, e temos sempre que andar à procura dele para lhe dar as vitaminas que a veterinária receitou. É ruivo, e chama-se Sean Connery. Sean por ser um nome irlandês, e Connery por ser um nome famoso. O Brad e a Angelina eram brancos com manchas negras. E o meu amado Ulisses, que aparece algumas vezes nos meus álbuns, não tarda vem via avião se encontrar comigo. Tenho tantas saudades deles... E de tantas outras coisas já ditas...
    Isto já parece um desabafo. Queria ter boas notícias para contar, tipo que estou a trabalhar, que estou a sentir-me motivada. Enfim, apesar de tudo ainda há alegrias: minha mãe e meu irmão vêm para cá. YEY. Tenho tantas saudades dos dois, que só pensar dói. Mas mal a minha mãe consiga pintar a casa e comprar as passagens, apanham o avião e voam para cá, para perto de mim. De repente, volta o remorso de não ter fugido no dia de viajar para cá. Foda-se.
    Já chega, até qualquer dia.
    January, 2007

    Desabafos a horas indecentes

    Sinto a falta dos teus olhos azuis, da tua barriga desenhada, da tua boca carnuda... Do contraste do meu tom de pele com o teu. Dos murmúrios, segredos, gritos. Tenho saudades de tanta coisa... Do meu povo e suas línguas, das más línguas, dos amores, todos eles... Da geografia rectangular, das garrafas de vodka por quebrar, dos berros de dor que o mundo ouviu, das histórias... Dos passarinhos... Da primavera... Da Chris, da Vanessa, da Carina, da Paty, da Mafalda, da Renata, da Martinha... Do Nuno, do Pit, do Gil, do Lipinho, do Keita, do Trigo, do Chito... Do Alex, da Bia, e oh! do Guigo. O meu Guigo. Saudade de algo que fugiu das minhas mãos por falta de bom senso, pela preguiça de fugir, desertar, o que seja. Saudade de Safari com coca-cola... Saudade do emprego que durou oito dias, que me alegrava e me dava direcção à vida... Saudade da escola, do caminho para a escola, da chatice da escola, do esforço que fazia para evitar erros do passado. Da organização do meu quarto. De ter um espaço chamado Meu Quarto. Do Ulisses, a minha companhia mais certa.

    De sair de casa sem rumo e ter onde ir. De cruzar com amigos na rua. De receber 5 convites numa noite só, tentar comparecer a todos, não conseguir e me desfazer em desculpas. De dividir meu tempo pelos muitos amigos que tenho. Do HK (sim, do HK). E de não me sentir visita onde durmo.

    Tudo isto devido a decidir que a vida é minha, que eu a faço. Que não fiz, pois outros me fizeram, mas que não controlam depois de tanto tempo. Por falta do dinheiro, que me oficializa “capaz”.

    Dor, é o que sinto. Um aperto no coração, sinto que vou desmaiar, e como um castigo, continuo desperta. Uma necessidade de dormir para que o tempo passe mais rápido, e a dificuldade de o fazer por magicar textos como este. Desabafos como este. Sonhos como este...

    Sonhos... Quando cheguei sonhava muito. Com pessoas que são importantes pra mim, outras que nem tanto. Pessoas que desejei e nunca tive, pessoas que tive sem desejar, amizades verdadeiras que nem o tempo pode ultrapassar. A minha vida, o meu bairro, o meu pouso. Mas já não sonho. As noites se tornaram imensos negros vazios que terminam sempre cedo demais. E as tardes também, quando assim a vida acontece.

    Um dia senti-me cigana, dentro de um filme. Não sei se era da moca, do lugar ou da companhia. Só sei que me senti falhada. Estranha. Chorando porque é assim a vida. Magicando... dor.

    E mãe, a mágoa impede-me de sentir muitas saudades, desculpa. Mas que saibas que penso muito em ti.

    August, 2006

    Fame

    Baby look at me
    And tell me what you see
    You ain't seen the best of me yet
    Give me time I'll make you forget the rest

    I got more in me
    And you can set it free
    I can catch the moon in my hands
    Don't you know who I am

    Remember my name
    Fame

    I'm gonna live forever
    I'm gonna learn how to fly
    High

    I feel it coming together
    People will see me and cry
    Fame

    I'm gonna make it to heaven
    Light up the sky like a flame
    Fame

    I'm gonna live forever
    Baby remember my name

    Remember
    Remember
    Remember
    Remember
    Remember
    Remember
    Remember
    Remember

    Baby hold me tight
    Cause you can make it right
    You can shoot me straight to the top
    Give me love and take all I've got to give

    Baby I'll be tough
    Too much is not enough
    I can ride your heart til it breaks
    Ooh I got what it takes

    Fame
    I'm gonna live forever
    I'm gonna learn how to fly
    High

    I feel it coming together
    People will see me and cry
    Fame

    I'm gonna make it to heaven
    Light up the sky like a flame
    Fame

    I'm gonna live forever
    Baby remember my name
    Fame

    August, 2006

    Quem tem sede vai à fonte

    Boa tarde.
     
    Hoje, graças a uma net wireless, tou na sala, sem muito que fazer, e com vontade de escrever. A vida dá muitas voltas, tanto, que eu às vezes fico tonta com o que acontece à minha volta. Agosto chegou em cheio. Mesmo.
     
    Agora olho pra trás e vejo uma estranha. Alguém que não eu. Mas era eu. Reparo em pequenas coisas da vida, que são importantes, e que eu ignorava. Estou num país de brutalidades. No agir, no falar, no tratar. Não compreendo bem o que faço no meio de certa gente, quando sei que não sentem a minha falta. E que eu também, pouca falta sinto? Esta falta de ligações... E pego me refletindo sobre a forma de uma mãe mandar uma criança por o chapéu na cabeça - Põe lá isso na cabeça, não vês que está sol, tens o chapéu pra quê? - e enfia  chapéu com pressa na cabeça da menina, que provavelmente estava tão absorta nos pensamentos dela que nem reparou que tinha calor na cabeça. Com brutalidade, frieza. Se ela tivesse simplesmente dito «olha o sol, põe o chapéu lindinha», o efeito era o mesmo e o carinho redobrado. Lembrei-me pk pensei em mim como aquela criança e minha mãe, cuidando de mim. Sempre com carinho. E eu me perdi neste mundinho só meu e esqueci isso. Esqueci tanta coisa. Tanta decepção, tantas alegrias, tantas praias diferentes, tantos passeios, tantas secas em casa, e enfim, até admito, tanta gente. Tanta gente mesmo. Que acredito que hoje em dia também não pense em mim... Né?
     
    Enfim, é como eu digo, a vida dá muitas voltas, por cima ou por baixo, o que importa e rolar... Águas passadas nem movem moinhos nem matam a sede... Não sou farinha lol :D
     
     
    July, 2006

    Rapidinha

    Depois de tanto tempo, cá estou eu outra vez. E a vida foi mudando, fui crescendo, fui vendo aos poucos as coisas que ocorrem na minha vida. Tanta tristeza, agora, dissimulada pela gargalhada falsa, tanta vaidade que me faz perder a noção de quem sou, que me faz agir contra o que eu fui. Unhas compridas, pintadas, humanas, de outra que não eu. Sim, porque eu sou maluca. Aquela a quem o mundo está sempre de pernas pra baixo, quando devia estar a fazer o pino.

    A raiva vai se juntando calmamente e eu sopro-a à lampada da génia que há em mim. Uma mulher, que se vinga de mim quando teimo em me fazer mal. Uma deusa, que tem fases como a lua, que me diz o que fazer, mas nunca na altura certa. E eu sou parva a ponto de me deixar passar por isto. Repetidamente. Por outro lado dá-me a segurança de saber o que vem por aí. A vida até que é minimamente previsível, incluindo as estranhas sensações que percorrem a minha espinha. Que me fazem triste.

     

    Já chega. Banho.

    March, 2006

    A véspera

    Bom dia.
     
    Hoje, após as 13:30, estou de férias, até às 13:30 do dia 17 de Abril. Um descanso para a mente, e provavelmente um queimanço para o cérebro. Ou talvez não, vamos ver o meu estado de espírito dos próximos dias.
     
    Hoje sonhei. Com minha avózinha, que já não está entre nós, com o meu pai, com muita chuva, com banhos de mar e saltos em que caio de cara na areia... E mais gente também, mas muitos deles não consigo me lembrar quem eram... Um deles era o Gil...
     
    Cada vez mais me sinto confortável comigo mesma. «When I grow up, I'll be stable» (quando eu crescer, hei de ser estável). Sinto-me assim. Não tão estável como desejava, ainda me apanho a rir sozinha na rua, e a chorar sozinha na cama. Mas já não me sinto mal por essas coisas acontecerem. Tenho que exprimir os meus sentimentos, nem que seja só a mim mesma... E, aos poucos, aprender a lidar com eles...
     
    Acordei sozinha, e estava bem acompanhada.
     
    Beijo, vou tomar banho, e depois comprar tabaco, e depois... logo se vê... Devo me emcaminhar prá última aula do período...
     
    Eu
    March, 2006

    No, no, no... You don't love me, and I know now...

    Olá, boa noite.
     
    Venho escrever aqui, enquanto espeo que a minha mãe chegue da reunião dela, e enquanto falo com umas 15 pessoas ao mesmo tempo. E, enquanto escrevo aqui, elas que esperem.
    Meus dois avós machos estão doentes. Um está na UTI, internado, xingando tudo e todos, meio lelé da cuca, ficando surdo. Odeio ter que dizer isto, mas ele tá colhendo o que plantou. Das poucas vezes que o visitei, peguei ele comendo bolachas escondido, colocando açúcar no suco, e besteiras do gênero, extremamente perigosas para um diabético como ele. O meu outro avô, Dudu, anda fazendo exames atrás de exames, fez uma endoscopia (pra quem não sabe, é a inserção de uma câmara de filmar minúscula através da boca até ao estômago), mas não encontraram nada. Agora é esperar pelos próximos exames... Só espero que não sofra muito.
    A verdade é que os dois vão morrer, algum dia. Pode ser hoje, daqui a dez minutos, ou daqui a 15 anos. Ninguém tem a maneira de saber ao certo antes de acontecer. E aí está a beleza da morte. E, por mais triste que ela seja, ela é linda.
     
    De resto, vou levando as coisas conforme me aparecem. Minha mãe e meu psicólogo andam cobrando que eu arrume objectivos pra minha vida... E eu me interrogo: prakê? Eu no fim vou morrer mesmo? Que importa que eu saiba as razões porque as pessoas se localizam mais no litoral, ou saber que Portugal se caracteriza por uma bicefalia, encabeceada por Lisboa e Porto? Quem sabe pra poder ensinar alguém um dia... Ou então pelo prazer de saber o que significa bicefalia... Enfim, filosofia idiotas da sabedoria do meu 18º ano de existência...
     
    Mor, a gente fala depois... Assim de surra... :D
     
    Pa, te amo muito, malha bastante, e vê se cuida de você... E se não atrasa as pensões...
    Mãe, tb te amo muito. E só.
     
    Vovó, aguenta firme, o mundo pode abalar, mas você não cai... Ainda não tá na sua hora... Te amo.
    Vovô Dudu, te amo também, com todos os seus defeitos e com todas as suas grandes qualidades... Espera mais um pouco antes de ir de vez, ok?
     
    Beijossssssss
     
    Eu
     
    P.S.: Aos meus amigos que passem por aqui... Também amo vocês... Demais... Deixem um comment, ok??
    P.S.2.: A minha mãe ainda não chegou... e eu quero sair... Meleca...
    March, 2006

    Txiiiiii

    Como apagar a memória de um tempo passado? Como deixar pra trás o que conhecemos, e nos atirarmos do abismo, sem a certeza da rede de segunrança por baixo?
     
    É fácil. A gente começa e nem sequer repara, e quando a meio do caminho reparamos que estamos a cair, queremos voltar a subir. Mas já caímos. Quando nos apercebemos que não dá pra subir, nos resignamos e fazemos figas para que a rede esteja lá. Às vezes não está.
     
    Estas filosofias baratas transmitem algo da minha vida que neste momento não sei se me perturba ou se é o que me faz dormir. Aliás, eu, na grande sabedoria da adolescente de 17, vou descobrindo que cada vez sei menos. Que afinal, ao contrário do que o meu mundo me dizia, não sei as intenções da paródia... E que assim, tropecei mais vezes que o necessário.
     
    Devo aos meus amigos muita coisa. E ao mesmo tempo devo pouca. Considero que a uns dei mais do que tinha, e que outros me deram tudo o que podiam dar.
     
    Com os meus namorados (ou melhor, ex-namorados) acabei descobrindo sempre que nada é eterno. Que o mundo não acaba amanhã, mas que amanhã é outro dia. E, de uma maneira muito dolorosa, aprendi a me dar valor. A saber que, independentemente das merdas que faça, da ciumenta que seja sem admitir, fui me entregando de corpo e alma, depositando meu coração de mão em mão, até que o deixassem partir, para que eu (ou outro) o cole...
     
    Bobeiras à parte, isto era só pra ser um desejo de boa tarde a quem me ler... Acabou sendo um desabafo mais comprido do que devia....
     
    Beijos
     
    Eu
    March, 2006

    Afinal não sou louca

    Olá outra vez...
     
    Tanta coisa aconteceu depois da ultima vez que aqui deixei minhas marcas, que até parece que não sou a mesma a escrever.
     
    Para descrever o dia de hoje, acordei, fui aó psicólogo, falei da minha vida, e aparentemente tenho mágoas pelo meu pai nunca ter feito parte muito activa na minha vida. Não acredito nisso, mas logo se vê. Também estou à espera de comear a falar nos meus desastres amorosos. Ainda vou descobrir que tudo está relacionado com o Wagner dos meus 5 anos. Ou com o Rafael Kim, sabe-se lá... Passados não muito recentes da minha vida.
     
    E isto leva à razão de lá ter ido. Sair de casa à toa é uma óptima razão. Voltar pra casa depois disso ainda é melhor... É como uma derrota. Uma batalha perdida. Uma maneira de me forçar a dobrar a forças maiores que a minha. Mas pelo menos consegui fazer com que minha mãe bata à porta antes de entrar no meu quarto. Ao menos isso...
     
    De resto, vou me afastando de certas pessoas, e me ligando mais a outras. Trocando idéias, e tentando da melhor forma dar a volta por cima. E olhem que custa, bastante.
     
    Por outro lado, ando aprendendo a ver o mundo com outros olhos, mais lavados, e a compreender certas atitudes de certas pessoas... Ou de pessoas erradas, não sei ainda. Nem sei se alguma vez vou descobrir. Mas não custa tentar. Não gosto de intrigas, nem do diz-que-disse que ocorre no mundo. Nunca me importei com o que quer que dissessem de mim, mais do que eu ninguém sabe, tenho certeza. E contem mentiras, ou verdades, a única coisa que me acalma é saber que sempre, tudo que fiz, foi por amor. De qualquer jeito, chega de passar papel de palhaça. Tenho mais que fazer...
     
    Qualquer dia volto cá...
     
    Mãe, por mais que a gente se chateie, eu te amo, muito.
     
    Beijossss
     
    Eu
    February, 2006

    Ora boas tardes

    Era uma vez,
     
    Uma menina que estava nas vésperas do seu aniversário. E que estava zangada com o mundo. E chateada com a vida. E nesse dia, quando acordou, chorou.
     
    O dia continuou na mesma, ela teve que seguir as ordens do dia, do mesmo jeito que todos os dias. Todas as segundas. O facto de por dentro se sentir vazia não mudou a forma como os outros a tratam. Apenas a forma como trata os outros. E nesse meio caminho, talvez tenha crescido um bocadinho. Ou talvez não.
     
    Essa menina tem sonhos. Tem objectivos. Qual quê? Na verdade ela anda passeando entre comédias e dramas e suspenses como se a vida fosse um filme barato onde a única coisa que tem que fazer é representar o seu papel. Ou às vezes, quando calha, o papel do outro. E ela pôe-se a pensar na vida como se a reflexão afastasse os problemas, como se o sorriso que ela esboça para a foto fosse verdadeiro. E essa menina não gosta de fotos.
     
    Ela segue a sua vida, como todos, com todos, e anda por aqui. Com seus erros cometidos e por cometer, sobre a eterna ilusão de que o mundo há de ser como ela quer, e que terá a felicidade, eventualmente. E morre na espera...
     
    Beijos
     
    Ela (hj tá na 3ª pessoa pk... é cm se eu na vdd n estivesse aki...)
    January, 2006

    SEXO

    Hoje estou em casa pela minha incapacidade de acordar a tempo. Pela lerdeza que herdei do meu pai, pela futilidade do prazer de ficar na cama, quentinha, quieta. Vendo o tempo passar e resolvendo puzzles inimagináveis que eu imagino. Recordando o que tenho, relembrando o que quero, desejando o que nunca vou ter.
    E com isso chego a conclusão de que quero, e sempre irei querer, demais. Mais do que me podem ou posso fornecer. Não sou um génio, e não tenho direito a 3 desejos. E se tivesse, provavelmente os guardaria com medo de pedir merda, e eles acabariam por perder o prazo de validade.
    Sonho. Cada vez mais. E nesses sonhos viajo, e controlo o meu redor, e tenho quem quero, sem razões, porquês e sem mentiras. No sonho eu vôo. E quando acordo, aterro de cara. Ou de bunda. E me machuco.
     
    Vivo na eterna ilusão de que sou mais do que sou. De que tenho o que na realidade não me pertence. De que me controlo, embora no fundo seja capaz de ver que a minha vida é feita de circunstâncias, de oportunidades que poderia ter aproveitado, e de outras que poderia ter rejeitado. A minha vontade sempre grande de fingir que reproduzo acabará por me fazer reproduzir, ou morrerei tentando. Aliás, morrerei de qualquer jeito, quer que queira quer não. Mas não quero morrer sozinha.
     
    E com isto chego ao cúmulo de refletir sobre o que sinto. Como se isso tivesse reflexo, como se eu o controlasse, como se eu soubesse exatamente o que é este nó na garganta e este enche-os-olhos-d'água que me possui em altura pouco propícias. Ou então aquela gargalhada rouca sem piada presente, apenas bela beleza de ser jovem, de ser eu. Mas eu estou envelhecendo. Tenho 16, e já sinto o peso da idade. Já sinto o chamar da responsabilidade que não quero aceitar, que quero que tenham por mim, e que depois quero usufruir como se minha fosse. O choro vem vindo não sei de onde, a propósito de um vazio que ninguém preenche. É estranho, ainda ontem estava bem. Será que tudo em mim gira em torno dos outros? Ou melhor, do outro que tem meu coração e age como se isso não importasse, como se não fizesse diferença o que sinto? Ou será que são tudo ilusões de algo que não conheço, e dramas inadequados à luz dos factos. A verdade, é que a falta de carinho me consome. Não a falta de sexo, que quanto a isso, não me envergonho, não tenho falta, pois quando quero, tenho. E tenho mesmo. É a falta do calor de um abraço repentino, a falta de um beijo que me chega à face sem que seja esperado, sem que seja permitido pelas leis da arrogância.
     
    Já tou falando merda... Coisa de adolescentes... Desculpem...
     
    Beijos
     
    Eu
    December, 2005

    Confidências Aborrecentes, ou seja, minhas...

    A idiotice do mundo me consome. Cada um vivendo a sua vida, em torno da sua bola de cristal imaginária, tentado sobreviver às quebra da vida, tentando partilhar com todos as suas vivências, para que no fim, nos tornemos pó (ou então que nossos orgãos sejam doados para ajudar outros a morrer).
     
    Minha adolescência precária me indigna, pela minha capacidade de idiotice acumulada. Pela inteligência que sei que tenho, mas que tenho preguiça de praticar. Pela gordura que se acumula no mundo, pelas noites em claro sem razões aparentes. Pelos meus sonhos, que pra variar, me atormentam. Sonhos que não m lembro, sonhos que me lembro pouco, sonhos que queria esquecer. Atitudes do passado, formas de entende o presente, e, quem sabe, predicções de um futuro próximo. Quero um filho. Meu, só meu. E essa idéia me faz chorar. Como qualquer outra idéia banal que me passe pela cabeça agora. Hormonas. Sexo. Dor. Alegria.
     
    Quero ser feliz, custe o que custar. E no mundo onde estou é difícil sorrir. Mas não impossível. Há pouco andaram elogiando meu sorriso. Isso só me fez reparar o pouco que sorrio. E agora que vejo o pouco que sorrio, entendo porque razão me sinto sozinha, mesmo estando acompanhada. Tenho um sorriso bonito sim senhor. Muito lindo. E com ele tenho um nó na garganta, que me impede de engolir saliva. Tenho saudades de beijos na boca. De carinhos no pescoço. De uma mão me acariciando a barriga, como se mais nada importasse naquele momento. Tenho saudades de chorar. Quero, e não consigo. Choro apenas quando não quero. Quando tenho a noção de que é o que preciso, me tranco num canto escuro de mim e fico esperando. Espero demais. Minha vida pode acabar amanhã. E o resto da minha vida começa hj. Agora. E se renova a cada segundo que passa, a cada tecla que aperto, a cada letra que escrevo.
     
    Decisões. Muitas decisões. Que caminho tomar pra casa. Como me vestir para não sentir frio. Coisas simples, que aprendi com a experiência. Alguém experiente que por favor me ensine como não estar sozinha. Alguém que tire o nó da minha garganta. Alguém que me mostre como e quando agir. Alguém que realmente seja dono da verdade. Não tem ninguém assim. Pelo menos não para mim.
     
    Quero. Quero muito. Mas quero mais que tudo. E não tenho. E a culpa, se não é minha, de quem será?
    Talvez querer ser feliz seja querer demais. Ou então o que pra mim significa ser feliz afinal... não seja nada disto.
     
    Mãe, Marta, Família, Amigos, Todos.
    Posso não dizer com a frequência devida: Amo-vos.
     
    Beijo
     
    Eu.
    December, 2005

    Tretas

    Boa tarde.

    Acabei de acordar, e estou, como toda boa adolescente, de férias, e por isso, estou no computador. Esperando o tempo passar. Estou esperando um presente de um amigo meu. Provavelmente o melhor presente do ano. Mas ainda é cedo, ele só vem às 3, e é se não se atrasar… De resto, como já disse, estou esperando o tempo passar. Lá vou fazendo uns trabalhos atrasados da escola, para recuperar o tempo perdido. Minhas notas foram uma vergonha. O pior período da minha vida. Mas eu não descanso. Vai permanecer o pior, uma vez que todos os outros por vir serão melhores. Para ajudar, vou ter muito trabalho pela frente, pois tenho uma professora de língua portuguesa que não é capaz. Acredito que ela seja uma óptima pessoa, mas eu pertenço a uma turma que está sendo prejudicada pela incapacidade dela de dar aulas. Ela chega ao cúmulo de, no meio de um discurso se esquecer do que estava dizendo. Eu não vejo nada de mais, se não fosse repetidamente, no mesmo discurso, em discursos diferentes, ou quando está lendo um texto. E ela não é capaz de ver que já não consegue dar aulas decentes, eu ajudo-a a saber. Até ameaças ela fez. Pois olhem, eu não ameaço. Se ela não vê que não está bem, eu mostro.

    Odeio o Natal.

    Odeio, porque sou adolescente, e gente assim ou ama ou odeia. Mas eu tenho razões para odiar: acho inadmissível a globalização eternamente aceite de um feriado católico. Fruto do nascimento de uma criança, proveniente de uma mãe virgem. Hoje, sabe-se que a gravidez em virgens é possível. Amassos e brincadeiras sexuais sem penetração acontecem, e daí se gera uma criança. Acredito, sim que Jesus tenha existido, mas não era Messias algum. Era um doido cujo nascimento estava supostamente inexplicado, e cuja mãe tenha mentido para esconder esse facto. Ou pelo menos, omitido certas verdades. Também eu posso espalhar outra religião qualquer, mas se o fizesse ia provavelmente para um manicómio, tomar remédio sem sequer saber o que. Outro feriado ridículo é a celebração de uma alucinação, uma visão, de uma santa, pelos três pastorinhos. Que horror, acreditar-se nisto. Porque razão não seria a visão um fantasma? Ou mesmo, sei lá, um holograma? Ou um buraco no tempo? Porque é que tornamos uma data fictícia em algo institucionalizado pelo estado? Um feriado nacional? Só para que os trabalhadores tenham um descanso? Falso, ainda por cima, uma vez que tanto uma coisa como a outra (O Natal e a Sta. Aparecida, seja lá o nome dela, sei lá!) acabam por cansar mais, com jantares, ou almoços, ou festas ou mesmo a melancolia pela falta de dinheiro. Querer dar, querer ofertar, e como eu, não ter como comprar nada seja a quem for. Frustração. Comemorem-se sim dias ligados à história de um país. Comemorem a luta dos povos, do povo, de cada um de nós. Comemorem aquilo que somos hoje. Não o que somos livres de acreditar. Não globalizem uma só visão deste mundo ocidental, não comemorem datas que não nos tocam. O Natal não me toca. Já não peço presentes pró Papai Noel, já não faço listas com minha letra fraca e distorcida, já não sinto que têm a obrigação de me dar presentes nesta data em especial. Se querem me dar coisas, façam-no porque querem, não porque se vêem em luzes néon «Comprem, e ofereçam» ou mesmo «Campanha de Natal». Não se rebaixem ao sistema consumista que nos rodeia. Tenham em conta o papel de embrulho que vai para o lixo, os quilos de plástico em caixas de bonecas, ou carros. O dinheiro gasto em presentinhos pequenininhos, vagabundos, baratos, que damos a pessoas que nem sequer significam nada para gente. Só pela obrigação de dar. Porque também essas pessoas nos vão dar algo sem valor. Apenas pelas compras loucas em lojas com facilidades porque é Natal. E para mais, o Natal, supostamente uma época feliz, é melancólico. A obrigação de esta feliz estraga a felicidade. E tem sempre um bando de deprimidos, de suicidas, de solitários, de viciados no trabalho, que se recusam a se sentir livres, porque nos pressionam a ser felizes, alegres, porque nos pressionam a estar com a família. Porque nos pressionam, apenas. Uma merda.

    Hoje fico por aqui, meu mano tem um banho para tomar, eu tenho um jantar para cozinhar, enfim… Desde o começo deste blog, já muito aconteceu, e aqui fica o agradecimento ao fofo do Guilherme Robinson, que, como eu disse, me ofertou a melhor coisa que me poderiam ofertar: nada palpável. Nada que eu vá esconder dentro de uma gaveta, ou mostrar aos amigos. Ele me ofertou bem-estar, sem pedir nada em troca. Apenas porque eu pedi, e ele podia dar… Beijo…

    Fica aqui um beijinho para minha mãe também, que eu sei que ela vai ler esta bodega. E ao Elder também, que para variar manda elogios mis às minhas escritas. Ele deve ter razão do que fala… Eu não sei, mas creio… Olha, aqui sim está uma boa crença… Façam um feriado porque escrevo… Enfim, amo os dois…

    Beijo

    Eu

    December, 2005

    Hoje, o amanhã de ontem

    Sentimental
    Chico Buarque/1985
    Para o filme Ópera do malandro, de Ruy Guerra
    Sentimental, sentimental
    Um coração saliente
    Bate e bate muito mais que sente
    Fica doente
    Mas é natural, natural
    Que num cochilo de agosto
    Surja um outro alguém do sexo oposto
    Do sexo oposto, outro alguém

    Ontem vi tudo acabado
    Meu céu desastrado
    Medo, solidão, ciúme
    Hoje eu contei as estrelas
    E a vida parece um filme

    Gemini, gemini, geminiano
    Este ano vai ser o seu ano
    Ou senão, o destino não quis
    Ah, eu hei de ser
    Terei de ser
    Serei feliz
    Serei feliz, feliz

    Façam muitas manhãs
    Que se o mundo acabar
    Eu ainda não fui feliz
    Atrapalhem os pés
    Dos exércitos, dos pelotões
    Eu não fui feliz
    Desmantelem no cais
    Os navios de guerra
    Eu ainda não fui feliz
    Paralisem no céu
    Todos os aviões
    É urgente, eu não fui feliz
    Tenho dezesseis anos
    Sou morena clara
    Atraente
    E sentimental
    Sentimental, sentimental

     

     

    Minha mãe me conhece. Da cabeça aos pés. Já beijou cada milímetro de mim, por dentro e por fora. É ela a pessoa com quem posso contar, aconteça o que acontecer. E é ela que canta isto pra mim, quando fala das escolhas da minha vida, e escolhas do meu coração. O sexo oposto é uma merda, já vi. Não por serem más pessoas, mas porque eu não sei escolher com quem partilhar o amor que tenho dentro de mim. E dou-o de uma forma tão gratuita, que não valorizam. Como o ar que respiramos. Meu teor de confiança é sempre alto. Mesmo quando talvez não devesse ser. Segredos idiotas são guardados com o unico intuito de ter algo que esconder. Talvez para que eu deseje descobrir. Talvez apenas por idiotice por exesso de androgénios. Resumindo, estou chateada com o facto de talvez me perder de amores por um idiota qualquer.

     

    Vou limpar a casa. Ajuda a alinhar as energias... Ou a acabar com elas...

     

    Eu

    December, 2005

    O meu ponto de vista

    ATCHIM!
     
    Bem, estou aqui eu pra falar da Arrentela. O bairro onde moro eu e mais uns quantos. Dados certos não tenho. Tenho apenas meus olhos míopes para relatar o que acontece neste finzinho de mundo.
     
    Isto é um grande guetto, composto por guettozinhos espalhados no mapa. Uns mais degradados, outros menos, mas no fundo, quase tudo uma merda. Mas, por incrível que pareça, há quem consiga ser feliz. Filhos de jovens adolescentes passeiam na rua livres, nos colos das mães, dos pais, dos amigos, da família. Mas todos muito novos. Confusões existem quase todos os dias, como se previa. Gente de outros guettos mais afastados vêm passear de carrinha e tiros no ar. É raro, mas acontece mais do que devia. Acontecem também tiroteios de vez em quando, e quem tiver bom olho encontra sinalizações furadas. Mamãe ia tendo uma ataque do coração quando viu gente aos tiros bem na minha rua. Eu cá fiquei foi divertida até às 4 da manhã, observando pela janela os muitos carros, jipes e carrinhas da polícia. E cheguei a ouvir alguém desafiando outro alguém a apertar o gatilho, sob pena de perder a honra. No fim não ouvi tiro nenhum, por isso não deve ter corrido tão mal.
     
    Ouço falar de tempos idos quando isto era pior. Quando gente que hoje está dentro, estava fora. Ladrões temidos, sobreviventes de armas. Não conheci nada disto. Conheço apenas um bairro onde me sinto segura andando na rua, a que horas forem. Onde sei que todos se conhecem, e onde quem pergunta por mim tem a resposta: é a Zuca. Pois é, por incrível que pareça, gente que não conheço nem sabe o meu nome. Mas sabe que sou da terra caliente denominada Brasil.
     
    Conheço gente daqui e dos arredores. Dou-me bem com quase todos. Tenho aventuras passageiras que não deixam cicatrizes. E tenho marcas de tempos passados que deixam saudade. Tenho muito. Tenho quem se preocupe comigo sem desejar nada em troca. Tenho amigos que se recusam a passar por mim como se nada fosse. Vejo gente sorrir com a minha chegada.
     
    Minha mãe tem medo de tiros. E medo de balas perdidas. Compreender, eu até compreendo. Ela já viu mais que eu. E sei que ela vai ler este troço, e espero que comente, nem que seja pra provar esta minha ultima afirmação. Realmente, eu conheço quem possua armas de fogo. Conheço quem tenha granadas dentro de casa. E sinto-me mais segura por conhece-los. Antes estar do lado que cá, do que ser a desconhecida que ninguém liga nenhuma se levar um balázio algures no corpo. E, por menos que ela queira saber, tenho as estatísticas do meu lado. Aqui não tem tiro todos os dias para serem perdidos.
     
    De resto, vivem aqui pessoas comuns, muitas delas que trabalham do outro lado do rio e voltam todos os dias. Muitas delas nem trabalham. Algumas vendem drogas. MUITAS as consumem.
     
    Resumindo, gosto de viver aqui. Por mais que minha mãe tema.
     
    Beijos
     
    Eu
    December, 2005

    Breve caracterização do núcleo urbano antigo de Arrentela

       Arrentela está situada na margem sul do estuário do rio Tejo, em local alto e debruçado sobre o esteiro do Judeu. O seu nome provirá eventualmente de “Aventella”, por ser terra varrida por muitos ventos, ou de “Arreentella”, por causa de estar implantada em areais ou ainda, segundo a tradição popular, de “além terra”, desde que foi avistada do rio por pescadores.
    ·       A actual Freguesia de Arrentela estende-se por uma área de 9,1 Km2
       Toda a região da margem sul do estuário do Tejo, integra na grande mancha terciária denominada Península de Setúbal, assenta, por isso, sobre uma vasta área compreendendo formações do Miocénio Marinha e Pliocénico. O Pliocénico ocupa, no entanto, a grande totalidade da Península de Setúbal e os terrenos quaternários constituem as orlas marginais do Tejo e dos seus esteiros. Quase toda a área do Concelho do Seixal, a que pertence a freguesia de Arrentela, se estende sobre a formação Pliocénica da Bacia do Tejo, a qual é bordada por uma larga faixa de depósitos recentes ao longo da orla fluvial.
    A povoação de Arrentela está implantada em terrenos do Pliocénico excepto junto das margens do esteiro em que o subsolo é formação natural recente ou artificial.
    Em 1384, a Arramtella era referida por Fernão Lopes, na crónica de D. João I. Em 1399, o Convento da Trindade trocava a sua Quinta de Arrentela por bens em Lisboa. Data de 1403 o aforamento do esteiro de Arrentela a Nuno Álvares Pereira, que o doou, conjuntamente com outras terras, ao Convento do Carmo, em 1404.
    ·       Datam de 1581 os primeiros assentos de Baptismo, Casamentos e Óbitos lavrados na Paróquia de Arrentela.
       Como outros povoados ribeirinhos da região, a Arrentela desenvolveu-se com base nas potencialidades do rio, quer a nível dos seus recursos naturais, quer das actividades proporcionadas pela localização geográfica, como a construção naval, sobretudo a partir do período dos descobrimentos e expansão marítima portuguesa.
    Em 1620, segundo Frei Niculau de Oliveira (Livro das Grandezas de Lisboa), Arrentela tinha 350 fogos, com 890 habitantes.
       Já em 1733, segundo o Padre Luís Cardoso (Dicionário Geográfico), a freguesia de Arrentela - englobando na altura o Seixal, Paio Pires, Torre da Marinha e Arrentela - contava 563 vizinhos. Em 1734 a Paróquia do Seixal tornou-se independente de Arrentela.
    A Igreja Matriz , destruída com o terramoto de 1755, foi reconstruída em 1757. Em 1758 a Arrentela tinha 202 vizinhos e 668 habitantes.
       Até meados do século XIX a agricultura desempenhou papel importante nas actividades da população local, designadamente o cultivo da vinha. No esteiro do Judeu pescava-se peixe em abundância. Há notícia da existência de algumas marinhas de sal que pertenciam aos frades Jerónimos de Belém.
       O Vinho, algum azeite, produtos hortícolas e frutas, assim como peixe, originaram importante comercio com a cidade de Lisboa, através do Tejo.
    Fora da povoação, no lugar da Torre da Marinha, estabeleceu-se no 2º quartel do século XIX a indústria de lavagem de lãs. Esta fábrica foi comprada por ordem de D. Miguel, que aí estabeleceu o fabrico de mantas para o exercito. Em 1843, a fábrica, cujos armazéns e oficinas tinham entrado em ruína, foi vendida a José Rodrigues Blanco, que a reedificou e transformou para estamparia de algodão. Novamente se arruinou, até que em 1855, sob direcção de Julio Caldas Aulette, se fundou a companhia de Lanifícios de Arrentela.
    O número de habitantes da Arrentela aumentou para 1195 em 1864 e para 1289 habitantes em 1878.
       Em 1872, um grupo de Operários da Companhia de Lanifícios de Arrentela fundou a Sociedade Filarmónica Fabril Arrentelense. Poucos anos depois foi criada a Sociedade Filarmónica Fabril Honra e Glória Arrentelense. A fundação destas duas colectividades inseriu-se no movimento associativo que se tinha iniciado no Seixal, na primeira metade do século XIX e depois, com a industrialização do concelho, se estendeu a todas as freguesias.
       Em 1890 sabe-se que o povo de Arrentela se manifestou contra a Inglaterra, devido ao Ultimatum, acontecimento a que decerto não era estranha a existência de encarregados ingleses na fábrica de lanifícios.
    Em 1894 foi nomeada uma comissão com o objectivo de promover a construção do coreto na Avenida Serpa Pinto, a qual só obteve cedência do terreno em 1905. O coreto, mais tarde destruído por uma tempestade, não viria a ser restaurado.
    Em 1895, com a extinção do concelho do Seixal, a Arrentela foi anexada ao Barreiro, até à restauração do concelho, em 1898.
    Em 1908 a laboração da fábrica de lanifícios ocupava 420 operários, do total de 1440 habitantes da freguesia.
       Em 1914 as duas sociedades filarmónicas fundiram-se, dando origem à actual Sociedade Filarmónica União Arrentelense. No mesmo ano foi inaugurada, na Calçada do Adro, a sede da colectividade, fruto de grande dedicação e empenho
    de um grupo de arrentelenses e sócios.
    Em 1920 a Arrentela contava com 2258 habitantes.
       Em 1927 deu-se a passagem do Concelho do Seixal do distrito de Lisboa para o de Setúbal.
       Em 1940 a freguesia contava contava com 3276 habitantes.
       Em 1945 foi publicada em Diário do Governo portaria aprovando o regulamento de serviço de saneamento da povoação de Arrentela (e da Torre da Marinha).
       O número de habitantes aumentou sucessivamente para 3999, 5390 e 9980, respectivamente em 1950, 1960 e 1970.
    Em 1977 a Igreja Paroquial de Arrentela foi classificada como Monumento Nacional.
       Foi em 1979 que a Socamar apresentou projecto de transferência dos seus estaleiros para o Seixal, incluindo o da Arrentela.
       No quadro económico local, a agricultura e a pesca perderam a sua importância nos modos de subsistência local ao longo da primeira metade do nosso século. Note-se que até cerca dos anos 60 ainda se produzia vinho na região.
       O Seixal muito próximo e fortemente industrializado exerceu forte atracção sobre a população de Arrentela, designadamente através da industria corticeira e, nesta, da Mundet. De resto, desde o século XIX que a freguesia de Arrentela se vinha transformando num centro industrial, em que a industria de lanifícios assumia grande importância.
       O outro factor económico de relevo até meados do século foi o tráfego de mercadorias, sendo a via fluvial a de maior importância, até então, para a povoação. 
       O quadro económico e social sofreu profundas alterações a partir da década de 60, com um novo arranque da industrialização regional, designadamente através da instalação da Siderurgia em Paio Pires e simultânea decadência da indústria corticeira local.
       Subalternizou-se a relação da comunidade com o rio, descaracterizando-se a própria localidade. A perda de importância do rio como via  de comunicação torna-se tanto mais importante quando a outra via - a estrada marginal e principal - se secundarizou cada vez mais no quadro de desenvolvimento económico e de urbanização do concelho.
       Por outro lado, retomemos a fábrica de lanifícios, factor de promoção e dinamização de Arrentela, para acentuarmos a relação da sua decadência e desactivação com falta de renovação do núcleo populacional antigo e o seu auto-fechamento.
     
    Eu
     
    (http://www.jf-arrentela.pt/php/index.php?option=content&task=section&id=7&Itemid=31)
    December, 2005

    I'm back in action!!!

    Bem, finalmente jah posso usar o pc em casa. Parece mentira... Enfim :P Tou happy por isto.
     
    MMDD... É o costume. Tenho recebido propostas indecentes por todos os lados e tenho-me cortado sempre. Meu coração pertence a um só e o corpo que vem com ele também. Pena que os homens sejam todos uns mulherengos com manias de fodilhões (salvam-se poucos) e que tenha que ser eu a fazê-los ver que n sou dessas. E ainda assim conheço quem se dê pa surdo e tente à mesma... Mas não cito nomes (acredito que mesmo que citasse nunguém se dá ao trabalho de ler o que escrevo práqui, mas mesmo assim não quero correr riscos...).
     
    A escola vai indo, a stôra de português pa variar a cada dia que passa atrofia-me mais o juízo, a filosofia troca-me as idéias todas e a história deixa-me sempre mal humorada com a constatação que a estupidez humana remonta ao século MM a.C.. A unica coisa que me salva é inglês... E mesmo assim, olhe lá...
     
    Minha mãe anda como anda, meio doente, ficando velha, caquética.. A idade não perdoa. Mas ela é linda e eu amo ela. Outra pesoa linda é o meu pai... Tadinho... Sempre tentando arrumar um jeito de me puxar pra ele... Pai sofre... :(
     
    Bom, tou morrendo de sono...
     
    Beijosss
     
    Eu
    October, 2005

    Ai ai a escolinha...

    Bem, já começaram as aulas, vida boa agora só em Dezembro, e vai saber a pouco porque, para além de ser pouco tempo, vai estar um frio de rachar... Uma vergonha! Agora tenho é que me preocupar com matérias, professores, aulas, testes, trabalhos, horas, e para ajudar tenho um horário MEDONHO, que só mete nojo, que não vem para ajudar a rotina e promover a minha aprendizagem. Enfim, isto aqui é uma tristeza...
     
    As coisas aqui em casa vão melhores, e já tenho internet (sim, eu sei que estive offline durante um tempo longo demais... Pra mim mais que 1 dia sem pc é uma tortura...). A minha mãe anda mais calma, e parece que finalmente percebeu que, por mais que o que ela queira seja proteger-me, ela não o pode fazer querendo me mudar. Quanto muito controla como pode o que pode, e o que não pode, olha, o que não tem remédio remediado está. Deixou-me sair na sexta, e eu muito alegremente contribui bastante para o fim de uma garrafa de cachaça de tangerina que andava olhando pra mim, lacrada, já há algum tempo. Ainda não acabou, verdade seja dita, mas também não sobrou grande coisa. Ai meu deus já me lembrei o porquê de não beber. Pelo menos sou esperta e não faço misturas malucas... Quando o alcool já era mais que o sangue nas minhas veias, agarrei-me a latas e copos de coca-cola, enquanto à minha volta giravam cervejas e companhia... Não posso propriamente dizer que me diverti. Pra ser sincera, a noite foi meio desapontante. Eu queria era ir dançar, pular, gastar todas as energias que sobravam nas minhas veias, expelir toda a raiva contida pelo silêncio de quem se esqueceu do que é ser alguém.
     
    Já tenho o meu quarto só meu outra vez, e tá lindo, espaçoso, enfim, meu! Já não tem roupas que não me pertencem em cima da minha cama, já não tenho que descer escadas frias se quero fazer xixi durante a noite. Já não tenho que me preocupar com a televisão ligada e o meu irmão adormecido, já posso ter luzes acesas e ler até às 4 da manhã quando me der pra isso. Sim, eu tenho pancadas dessas. E tenho pancadas piores... Mas essas, não é qualquer um que tem que aturar. E pra mais, só atura quem quer... Eu é que não tenho bolas de cristal pra saber o que se passa na cabeça de pessoas que não se manifestam... Pra isso deêm algum uso à lingua que a mamã e o papá com tanto amor fizeram e beijem-me. Tenho saudades de dar mordidelas em beiços carnudos... Ai ai...
     
    O que melhor me tem acontecido são notícias de gente que esteve longe, que já está mais perto, que não me esquece, que sabe que eu tenho valor, que percebem o que sinto apenas olhando para os meus olhos, tocando nas minhas mãos, me abraçando. Agora só falta oportunidade de nos vermos, uma vez que tanto eu como ele temos vidas separadas, complicadas, temos nossas responsabilidades e nossos deveres... E muitas saudades também, não duvidem.
     
    De resto, conto amanhã...
     
    Beijossssssss (só pa quem quer...)
     
    Eu
    September, 2005

    Pois é, o Verão tá a despedir-se aos poucos...

    Bem, acabou a Festa do Avante, acabaram as feiras populares, e agora só restam nuvens de chuva e de saudade de um tempo que já acabou. Agora, mais, só pró ano.

     

    As aulinhas estão quase a começar, e com elas o tempo de frio, quem sabe de chuva, enfim, o Outono e o Inverno que eu TANTO odeio... Gente como eu amo o Verão. Acho que ninguém compreende que naqueles dias abafados, sem vento, quentes, abrasadores, eu me encontro no meu habitat natural. Na minha Natureza. Quando todos reclamam que está quente de mais, eu me sinto bem. Até porque sei da existência de uma coisa maléfica do mundo chamada Tempo Frio, onde tenho que me esconder com roupas e casacos e cachecois e tudo o que não veio comigo quando nasci. Por mim, andava nua, como os Índios lindos da minha terra. Sem fome, em paz, tudo em harmonia com o céu, a terra e a água. Uga buga ...

     

    Ando pensando no que quero fazer da minha vida. A vontade de ir pro Brasil em Dezembro ainda é grande. Afinal, quer eu queira quer não, nasci alí. Tenho ali gente que me compreende e que não me julga pela minha nacionalidade, gente sem preconceitos nem idéias pré-concebidas da minha pessoa. Gente que adora sentar numa esplanada, numa noite quente, e partilhar sorrisos (e cerveja) até às tantas. Gente como eu. E depois, tem o lado de cá, a Europa velha, que eu conheço, que me é segura, as ruas onde não me perco. É difícil saber o que é bom pra mim. Se é a proximidade com a minha mãe e com o meu irmão; se por outro lado eu devia era conviver com o meu pai que me ama tanto e mal me conhece, enfim, que rumo tenho que dar à minha vida? Não posso simplesmente deixar as coisas irem, já passei a enorme fase da minha vida onde ditavam o meu presente, e agora, a vida é minha, e mando eu. E com o poder de decidir sobre mim, vem a responsabilidade incómoda da idade adulta. Do trabalho árduo que é sobreviver seja em que parte do mundo.

     

    E pra ajudar, my heart is beating in a strange way, não sei se ando maluca ou se é ele que anda parvo, não sei se afinal estou satisfeita como achava que estava, não sei se o Gil é mesmo o tal bebé fofinho por quem me apaixonei, ou se é um palhaço cheio de Lumi na Scapi e segredos que me incomodam cada vez mais. Não sou parva nenhuma e codigos não são nada difíceis de quebrar, por mais idiota que eu pareça ser. Não sou um objecto pronto a ser usado, antes pelo contrário, eu é que quando me farto de um brinquedo, uso-o uma ultima vez e deito-o fora, num estado que mais ninguém o quer pa nada... Não que tal coisa seja correcta, mas eu sou assim, vingativa, e é assim k me sinto be, comigo mesma. Não propriamente por deixar o pobre brinquedo inutilizado. Fiquem sabendo que não sou assim tão má pessoa pra me sentir satisfeita com o sofrimento dos outros. Apenas fico satisfeita com a certeza que me vinguei, (sim, sou vingativa, e daí?), e fico extremamente satisfeita com o fim do MEU sofrimento. Afinal, ng se pode sentir satisfeita por mim. Ou tou enganada???

     

    Bem, não tarda uma grande amiga minha vem me visitar, de braço ao peito, com a nova alcunha de frango assado de asa partida, e eu terei que lhe dar atenção, e dar-lhe umas quantas dicas para um certo exame de T.I.C. muito importante pra ela...

     

    Beijos não muito satisfeitos,

     

    Eu

    August, 2005

    É Verão, que maravilha!!!

    Bom, é Verão. Estive na praia literalmente o dia todo, com a minha irmã linda que tem paciência pra mim dum jeito que eu nem entendo, e o nadador salvador amigo dela e muito do abusado... Enfim, coisas da vida!
     
    De resto, tudo numa boa. Uma pequena birra do Guigo que não quer ir dormir. Já tive na discussão com o meu ex, que é um troll... Tadinho, viu-me a fugir dele e agora não sabe o que há de fazer... Que pena :(
     
    O meu actual fofinho anda muito cansado, de ficar sentado o dia TODO, mas enfim, quem sou eu pa contrariar? Tb eu tenho coisas a fazer e não espero que ele fique enchendo o meu saquinho (sim, esse que eu não tenho) por causa disso. Ele é um kido, enfim, é o meu bebé grande :P LY
     
    Bem, a praia cansa, kero masé ir dormir, até porque ainda nem sequer repus a saída de ontem à noite...
     
    Beijo
     
    Eu